“A impressão que deu era que eles queriam despachá-lo”, diz viúva

Aposentada assistiu morte do marido ao pedir socorro não correspondido na Unidade Mista do Lote XV, em Belford Roxo: homem deveria ter sido transferido para CTI
Foto: Davi Boechat/Conecta Baixada
O relato de Angela Maria do Santos Paulino, de 62 anos, indica uma crise na saúde que vai além das dificuldades financeiras enfrentadas pelo estado. Segundo a aposentada, negligência e morosidade caracterizaram o atendimento médico ao marido Elizio do Nascimento Sant’anna, de 67 anos, que morreu após esperar 10 horas por uma ambulância que o transferiria para um CTI (Centro de Tratamento e Terapia Intensiva) onde as complicações do infarto sofrido no fim da noite de 9 de dezembro seriam mais bem assistidas. Na versão de Angela, o quadro dele já era estável, mesmo inspirando cuidados, quando o caso foi assumido pela equipe médica de plantão na manhã seguinte. Pouco depois, Elizio piorou.
“Meu marido passou às 23:30h. O levamos, em menos de cinco minutos, à Unidade Mista do Lote XV, onde inicialmente foi bem atendido pela equipe médica que fazia o plantão da noite. O problema é que a unidade não tinha suporte para atender a complexidade do infarto. A transferência para um CTI era a única esperança da sobrevivência. O médico da noite disse ter conseguido um leito para a internação, mas a ambulância para levá-lo não chegou. Mesmo implorando por ajuda, fui ignorada pela equipe que acabara de assumir o plantão. Minha dor maior em perdê-lo é saber que ele poderia estar vivo se tivesse um atendimento digno”, completou Angela, que era casada com Elizio há 30 anos.
O casal tinha dois filhos. Um deles, que morava junto aos pais, saiu de casa por não suportar conviver com as lembranças. A única neta, de cinco anos é a que sofre mais com a falta do avô. “Destruíram nossa família”, desabafou Angela.
Assista ao vídeo:
O caso de Angela é a personificação da situação crítica da saúde nos hospitais da Baixada Fluminense. Com poucos hospitais de referência, invariamente lotados, municípios exportam pacientes para unidades como o Hospital Geral de Nova Iguaçu, na Posse. Municipalizado em 2012, a unidade tem a maior parte dos leitos ocupados pacientes de municípios vizinhos. Ao menos 40 a 50% dos pacientes migram de outras cidade em busca de atendimento. Em outubro, o prefeito Nelson Bornier (PMDB) anunciou que procedimentos médicos de urgência e emergência realizados no Hospital da Posse, seriam cobrados às prefeituras. “O Governo Federal tem 11 hospitais no Rio de Janeiro. Gasta R$ 20 milhões com cada um. Para o Hospital da Posse repassa apenas R$ 9,2 milhões. Não é correto tirar o dinheiro daqui para manter os moradores de outros municípios. Não podemos pagar esse preço”, falou Bornier ao O DIA.
Sem respostas
Procurada, a Prefeitura de Belford Roxo, responsável pela Unidade Mista do Lote XV, não respondeu aos questionamentos do Conecta Baixada até a publicação dessa reportagem.
Justiça determinou reabertura de hospital em Mesquita: prefeito recorreu
A carência por hospitais deveria estar aliviada, ao menos para a população mesquitense. Com as portas fechadas há cinco anos, o Hospital Municipal Governador Leonel de Moura Brizola (também conhecido como Hospital São José), deveria estar reaberto. A determinação partiu da Justiça Federal em outubro passado.

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