Mesquita: Um PM para 1,9 mil moradores – Conecta Baixada

Mesquita: Um PM para 1,9 mil moradores

Para mesquitense ver: de cada turma de PMs formada, poucos vêm para a Baixada

Foto: Divulgação

Enquanto o batalhão de Mesquita tem um PM para 1,9 mil moradores,

no Leblon há um policial para cada 305 pessoas

Por Davi Boechat

davi.boechat@conectabaixada.com.br


Aulas interrompidas por estampidos de tiros, alunos e professores assustados. Assassinatos, ônibus queimado, arrastões na estação de trem de Edson Passos e até nos arredores do 20º BPM. Em menos de um mês, moradores de Mesquita e das vizinhas Nova Iguaçu e Nilópolis vivenciaram uma rotina de insegurança que evidencia um problema crônico da região: a carência de policiais no único batalhão de PM responsável pelo patrulhamento nas três cidades. Para garantir a segurança de 1.139,221 habitantes, a unidade conta com pouco mais de 600 PMs. Uma média de um policial para cada grupo de 1,9 mil moradores.

Para se ter uma ideia da desigualdade, o 23º BPM, responsável pelo policiamento nos bairros do Leblon, Ipanema, Gávea, Lagoa, São Conrado e Jardim Botânico, onde vivem 244,3 mil pessoas, conta com um efetivo de quase 800 policiais. Média de um PM para cada grupo de 305 habitantes. Disparidade que pode explicar a crescente sensação de insegurança nas três cidades da Baixada Fluminense.

Para Jayme Soares, vice-presidente do Conselho de Segurança de Nova Iguaçu, a carência de policiais no batalhão da região foi potencializada diante da migração de criminosos de áreas patrulhadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) para favelas na Baixada:

“A região já sofre com a criminalidade há muito tempo. Com as UPPs a situação ficou ainda pior. Além de fazer com que os criminosos que atuavam em favelas do Rio migrassem para a Baixada Fluminense, também deixou o efetivo dos batalhões da região ainda mais defasado. Os novos policiais são sempre remanejados para lá e nós seguimos esquecidos”, lamenta Soares.

Episódios recentes de violência confirmam a análise feita por Jayme Soares. Na última terça-feira, por exemplo, um ônibus foi queimado nos arredores da comunidade do Sebinho, em Mesquita, onde integrantes de duas facções criminosas disputam território.

Os conflitos entre essas quadrilhas também já deixou alunos sem aula. Como aconteceu no Colégio Estadual Pierre Plancher, onde 1.400 estudantes tiveram que voltar para casa mais cedo, no último dia 5, diante a ameaças de uma guerra entre os bandos. Enquanto os bombeiros ainda apagavam as chamas no coletivo, a pouco mais de 500 metros do local, na Via Light, passageiros de outro coletivo também sofriam com a ação de criminosos. Em setembro passado, foram registrados na região 57 roubos a coletivos, crescimento de 42,5% na comparação com o mesmo período de 2014, quando foram contabilizados 40 roubos.

Nem mesmo a rua do batalhão de Mesquita ficou livre da ação dos bandidos. No início da manhã de sábado (7), um grupo atacou motoristas que passavam pelo local. O arrastão, segundo moradores, foi rápido: durou cerca de 10 minutos. Armados, sete criminosos levaram terror aos moradores da rua Tenente Aldir Soares Adriano, a cerca de 50 metros do BPM. Amedrontados, eles não fizeram registros nas delegacias da região.

A disparidade numérica também é grande quando comparada à média nacional. Segundo o Ministério da Justiça, a soma dos PMs que atuam nos 26 estados e no Distrito Federal chega a 413,9 mil. O que representa uma média de um PM para cada 469 brasileiros. A desigualdade do efetivo do batalhão de Mesquita também fica evidente quando comparamos os dados gerais da PM no estado. O efetivo estadual da corporação é, proporcionalmente, o quinto maior no ranking nacional.

“Se você dividir o número total de PMs do estado pelo número e habitantes vai dar uma média de um policial para cada grupo de 345 pessoas. Contudo, não é assim que funciona na prática. Batalhões de regiões turísticas, geralmente na Zona Sul, contam com mais policiais do que as unidades localizadas na periferia, onde esta concentrada a maior parte da população. É o caso da Baixada Fluminense”, analisa Vinícius Domingues Cavalcante, especialista em Segurança Pública.

comandante

Comandante do 20º BPM, Roberto Christiano Dantas, confirma efetivo deficitário

Foto: Renato Ferreira/Conecta Baixada


“Nosso efetivo é proporcionalmente deficiente. Mas se ele for bem treinado, orientado, motivado e respeitado, vai haver multiplicação deles nas ruas. Uma tropa, ainda que pequena, se bem assistida rende muito mais que um efetivo grande e desestimulado.

No primeiro semestre, cada um de nossos policiais recebeu uma bonificação de R$ 5.500 reais por diminuir os índices de letalidade violenta, roubo de rua e de veículos. Nossa meta é que consigamos melhorar ainda mais os números, diminuindo em 120% a meta da Secretaria de Estado de Segurança Pública. Com isso, conquistaremos um prêmio de R$ 13.500.”

Tenente Coronel Roberto Christiano Dantas, comandante do 20º Batalhão


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