Poderosas vencem o câncer de mama dia após dia

Mais de 60 mulheres formaram uma família na sala de espera do setor de fisioterapia oncológica da Policlínica Dom Walmor, em Nova Iguaçu. Em comemoração à campanha do Outubro Rosa, o Conecta Baixada apresenta o grupo Poderosas Amigas da Mama, composto por mulheres que venceram e estão na luta contra o câncer, e se uniram para apoiar emocionalmente e financeiramente umas às outras.

As Poderosas existem há cinco anos, e vêm mudando a vida de mulheres que já tiveram que passar por grandes desafios. “O grupo é um espaço de assistência às mulheres diagnosticadas com câncer de mama, e foi formado pelas próprias pacientes daqui. Hoje, temos integrantes que fazem tratamento em diversas unidades”, explicou a fisioterapeuta Juliana Morais Bastos.

“Todas nós passamos pelo momento de se olhar no espelho sem a mama. Somos mulheres, temos as nossas vaidades. De início, dá aquele choque. Mas, você tem que parar e pensar assim: foi necessário, eu vou continuar vivendo. A gente perde um peito, incha o braço. Mas, o câncer nos dá a oportunidade de perceber que a vida é maravilhosa. Depois dele, eu aprendi a viver ”, disse Alvânia Ferreira, de 59 anos, que descobriu a doença há oito.  

Lea Rocha Reis tem 74 anos, e operou aos 36. Ela conta que, na época, os filhos eram todos pequenos. “Hoje estão casados, têm suas famílias, eu tenho meus netos. Estou feliz agora, graças a Deus. Depois que a gente opera, cada dia é um novo dia. A gente acorda e agradece por ter passado pelo câncer, e estar vivo”, disse. “Aqui nesse grupo eu me sinto mais feliz. Conheci novas pessoas, todas são minhas irmãs. Uma completa a outra. Amo essas mulheres”, confessou ao falar sobre as Poderosas.

Pela falta de informação, a rejeição acaba acontecendo. Lea conta, que, em sua época, as pessoas nem falavam a palavra “câncer”, era quase um segredo. “Muita gente sumiu da minha vida. As pessoas achavam que iam pegar a doença.” E a ignorância de muitos não foi embora com o passar dos anos. “Quando eu descobri o câncer, pessoas até da minha igreja ficaram assim, meio assustadas”, disse Alvânia. “Nós fizemos esse grupo para mostrar para as mulheres que não é porque tivemos o câncer que estamos mortas. Pelo contrário, nós vivemos muito melhor, com mais alegria. Valorizamos muito mais os nossos dias.”

Fabiana Cardoso, de 38 anos, fez a cirurgia de retirada da mama há dois. “Quando recebemos o diagnóstico, é como se abrisse um buraco no chão e a gente caísse nele. Aí, você tem duas escolhas: ou você fica dentro desse buraco, ou levanta a cabeça e tenta sair. Se optar pela segunda alternativa, você se torna a pessoa mais forte desse mundo, e consegue o que quiser.”

Para as mulheres que acabaram de descobrir que estão com câncer, as Poderosas deixam um recado: “Tenham fé e foco. Porque existe, sim, vida após o câncer, e basta você querer. Eu tive um diagnóstico de 1% de chance de cura. Isso já faz quatro anos. O grupo me deu vida, as fisioterapeutas também. Vamos acreditar!”, disse Ana Paula Amêndola, de 43 anos, em meio a aplausos das amigas.

Elas viraram modelos
As Poderosas vão estampar as paredes da Casa de Cultura de Nova Iguaçu a partir do dia 11 de outubro. Para revelar as forças da sobrevivência, diversidade do corpo, etnia e história da vida de mulheres incríveis, a exposição ‘Resiliência’ faz parte do projeto ‘Peito Aberto’ e ficará aberta ao público até o dia 27. Produzido pela jornalista e pedagoga Andréa Souzae pelo produtor Alessandro Swinerd, as fotografias pretendem propor uma reflexão sobre a essência feminina, sua capacidade de transformação, e a essência do ser humano.

Roda de conversa
Além de contar suas histórias na reportagem, as meninas do grupo também participaram de uma roda de bate-papo ao vivo nos estúdios do Conecta, que você pode conferir abaixo:

 


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