Os heróis por trás de todo o profissional

Por trás do sucesso de todo profissional, existe um mestre, aquela pessoa dedicada que explica conteúdos e valores, mesmo que às vezes pegue nos pés dos seus alunos, mas faz isso vislumbrando um futuro enaltecedor para a vida de cada criança. No dia 15 de outubro, é comemorado o Dia do Professor, uma data marcada por lutas e conquistas, mas a principal delas, a valorização, precisa ser mais bem compreendida na sociedade.

Dar aulas se tornou uma inspiração a mais na vida de Francisco Antônio de Souza. Professor da rede municipal de Mesquita, há 11 anos, ele sofreu um acidente aos 17, enquanto jogava futebol, e ficou cego. Foi então que decidiu que faria outra coisa. Francisco se formou no Centro Universitário Celso Lisboa em Pedagogia, e traçou um novo objetivo, trabalharia para a educação. “Tive uma nova perspectiva de vida. Quis entrar para a educação para trabalhar com os alunos, além de lutar a favor da inclusão”, declarou o professor, que também trabalhou no Instituto Nacional do Câncer.  

Uma das histórias que mais emociona Francisco é a de Vânia uma de suas alunas na Escola Municipal Expedito Miguel. Ela chegou à sala de aulas com dificuldades para memorizar o conteúdo, mas o professor se dedicou a transformar a vida dela. Hoje, Vânia está formada em História. “Eu estava passando pela estação de Mesquita, quando de repente ela me chamou. Me deu um abraço forte e agradeceu, falando que há quatro meses tinha concluído a graduação em História”, contou emocionado.

Mestres ajudam em projetos carentes

A maioria dos jovens tem o sonho de entrar em uma universidade, mas veem sua vontade esbarrar nos altos valores de cursos preparatórios e encontram no professor a ajuda necessária. Mesmo sem ganhar um centavo, Fábio Penna abraçou a causa, e desde o ano 2000, leciona no Pré-Vestibular para Negros e Carentes, em Duque de Caxias. “Fui aluno em 1998, colaborador em 1999, e coordenador em 2004. Até hoje é o espaço em que mais me sinto útil e realizado”, explicou.

O professor Leandro Machado, mais conhecido como Leandro “Buffon”, também deu aulas em pré-vestibular comunitário, em Belford Roxo, em 2006. De lá, as oportunidades se abriram para lecionar em colégios públicos e particulares. Atualmente, ele faz parte de um projeto em parceria com a Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu e oferece aulas a jovens da rede pública que farão o Enem.  “É sensacional. Temos uma missão social. Somos profissionais. Temos que ser valorizados. Porém, mostramos que ao agir com projetos como esse, não é o lado econômico que nos impulsiona”.

Falta de estrutura expõe dificuldades

Apesar das belas iniciativas dos professores municipais e comunitários, alguns problemas estruturais atrapalham o trabalho dos professores. Para Leandro, diversos fatores contribuem para a desvalorização da profissão no país, e do profissional. “Problemas da estrutura física das escolas públicas, a não valorização patronal ou do governo, falta de parceira da família em aplicar limites aos filhos. Temos que nos dividir em quatro ou cinco escolas. Isso tudo gera transtornos físicos que são reflexos não só de estafa, mas também de problemas psicológicos”, concluiu.


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