Grupo de jovens faz sucesso com performances de dança no trem

Dos vagões de trem do Rio para o mundo. O coletivo de arte urbana ‘The Next Station’ (“A Próxima Estação”, em inglês) é formado por cinco jovens que, desde 2016, fazem apresentações de breakdance e popping (conhecida como ‘dança do robô’) na Supervia, Metrô Rio e outros ambientes da cidade, para arrecadar fundos utilizados em competições de dança. Eles já fizeram até turnê pela Europa. “A gente está entregando cultura para as pessoas”, contou Leonardo Galvão, o Klone, que tem 31 anos, mora em Duque de Caxias e faz parte do grupo dançando breaking.

A ‘The Next Station’ foi criada nos vagões da Supervia do Rio de Janeiro. Quando eles chegam com a caixa de som e anunciam o espetáculo, fica difícil não olhar. Depois da apresentação, os jovens passam o chapéu, e chegam a faturar de 200 a 400 reais por dia, que é dividido entre o grupo. O dinheiro arrecado é utilizado para custear as competições, alimentação, passagem, treinos e outros gastos. “A gente também gasta com roupa e tênis. Imagina só? Ficamos o dia inteiro nos jogando no chão”, contou Hugo Ferreira, o Zulu, que tem 26 anos e faz faculdade de dança. As competições são batalhas de break, pop e hip hop, e acontecem em outros estados e países. Zulu é caxiense e já disputou até na França.

O objetivo das apresentações, além de ser um trabalho, é também político. “Eu acho que é uma forma de dizer ‘não’ ao sistema. O Brasil tem esse problema com corrupção, e isso está tão evidente ultimamente, sabe? A gente sai um pouco disso para fazer a nossa própria cena”, disse Klone. “A gente sofre muito preconceito. Uma vez eu estava no metrô, e um guarda expulsou a gente do vagão. Uma senhora falou assim: ‘Poxa, os caras do senado não são retirados do poder quando são corruptos, agora o dançarino vem aqui no metrô expor uma arte para a gente e está sendo expulso?’ Isso me marcou muito.”

Bruno Campos, conhecido como Pastor, tem 27 anos e é o representante da ‘The Next Station’. Ele conta que o grupo é uma mistura de estilos dentro do hip hop. O caçula do time, Irven Oliveira, tem 19 anos e já é um microempreendedor, além de dançar. Ele foi vencedor da SB Session, que aconteceu no início de outubro em Caxias. O próximo passo do grupo é conquistar uma vaga em uma competição na Europa, chamada ‘Juste Debout’, com eliminatória em São Paulo, cidade, inclusive, do quinto membro da equipe, que hoje expõe a arte por lá.

“Temos que perseverar todos os dias sozinhos, ou nos apoiando uns nos outros. A gente sabe a batalha que é estar aqui. A gente trabalha com o corpo, doi. A gente está sorrindo ali, mas está sentindo dor. Tem que ter um trabalho muscular, uma alimentação. Há um desgaste, um custo. É amor. Tem que ter paixão para fazer isso”, concluiu Zulu, com um sorriso no rosto.

 

[Foto: Thiago Monçores] 


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