Mesquita, uma cidade desgovernada

Equívocos, desmandos e falta de zelo com a administração pública revelam a face neocoronelista do prefeito e revoltam a população

Era véspera do jogo de estreia do Flamengo contra o Boavista no campeonato carioca. A partida marcada para acontecer no campo do América, em Mesquita, no sábado (30) já tinha mais de seis mil ingressos vendidos, quando servidores da Defesa Civil municipal anunciaram a interdição do estádio sob o argumento de “risco iminente de desastre”. A iniciativa gerou surpresa entre dirigentes dos clubes e da federação estadual. Afinal, todas as exigências à realização da partida foram cumpridas. A bola fora teria partido da prefeitura, que horas depois voltou atrás liberando o estádio, sem maiores explicações.

Polícia prende secretário e subsecretário de Mesquita por crime ambiental (3)Polícia Civil faz operação na sede da Dinâmica e flagra despejo de lixo
Foto: Davi Boechat/Conecta Baixada

Faltando pouco mais de oito meses para as eleições municipais, o governo de Rogelson Sanches Fontoura, o Gelsinho Guerreiro, vivencia uma sucessão de desmandos que não se limitam apenas ao fechamento relâmpago de um estádio de futebol. Nos últimos quatro meses, o governo enfrentou problemas para pagar fornecedores, prejudicando por tabela funcionários de empresas terceirizadas e, sobretudo, a população. Um exemplo é a coleta de lixo domiciliar, que desde de dezembro passado é feita desordenadamente e já levou à prisão o secretário de Obras e seu sub, que foram flagrados por uma equipe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), literalmente, empurrando o lixo para debaixo do tapete. Nesse caso, o terreno da Dinâmica, estrutura onde funcionam secretarias e até uma padaria escola.

Polícia prende secretário e subsecretário de Mesquita por crime ambiental (1)

Polícia Civil faz operação na sede da Dinâmica e flagra despejo de lixo

Foto: Lélio Neto/Conecta Baixada

O desmando com o lixo virou caso de polícia. Mas não foi o único. No último dia 4, às vésperas do carnaval, um servidor do município
foi flagrado pelo Conecta Baixada fazendo uma ligação clandestina, o velho gato de eletricidade, para garantir o funcionamento do Ônibus da Saúde, um consultório odontológico móvel. A denúncia foi confirmada por uma equipe da Light, que enviou o caso para a Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD). Novamente, o desmando virou caso de polícia.

Polícia prende secretário e subsecretário de Mesquita por crime ambiental (2)

Funcionário da prefeitura faz “gato” em poste para o Ônibus da Saúde

Foto: Lélio Neto/Conecta Baixada

Diante de tanto desgoverno a prefeitura se cala. Contudo, Gelsinho Guerreiro não é um caso isolado. Para a diretora-executiva da ONG Transparência Brasil, Natália Paiva, muitos prefeitos brasileiros agem como imperadores, pois raramente há oposição nas câmaras municipais. Nesse cenário, a maioria dos vereadores acaba apenas desempenhando a função de despachantes de luxo dos prefeitos, sem cumprir a atribuição de fiscalizar as contas do Executivo. Além da falta de controle por parte de vereadores, o Ministério Público também é lento ao apurar irregularidades praticadas por prefeitos, principalmente, em cidades pequenas.

Em Mesquita, nem mesmo os procuradores concursados que atuam na administração municipal têm acesso às decisões do prefeito. Prova disso foi o “remanejamento” de R$ 13 milhões do Fundo de Aposentadoria para contas da prefeitura. Movimentação financeira que contrariou parecer técnico dos procuradores municipais, mas que foi ignorado por Gelsinho Guerreiro. No último ano de seu primeiro mandato, o prefeito oscila. Ora adotando ações populistas, ora desgovernadas. 


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