Tinguá sofre com falta d’água

Foto: Lélio Neto/Conecta Baixada

Marcelle Bappersi

marcelle.bappersi@conectabaixada.com.br
Elizabeth Maria da Cruz, de 32 anos, não suporta os dias mais quentes. Para ela, calor é sinônimo de sofrimento para sua família e para outros moradores de Tinguá, em Nova Iguaçu, que ainda convivem com a falta d’água.

Pelo menos duas vezes por semana a dona de casa desce a Estrada Trajano empurrando seu carrinho de mão com dezenas de garrafas pet. Ela anda cerca de 500 metros até a biquinha: uma caixa de concreto com uma torneira, colocada estrategicamente no centro de um córrego, por onde sai em abundância água cristalina.

“Só tenho água quando chove. Quando está quente sou obrigada descer duas vezes até aqui para ter o que beber, cozinhar, tomar banho e limpar a casa. A sorte é que choveu muito no Natal”, diz.

Já Samara Granjeiro, 38, membro da Associação de Moradore, relembra os bons momentos da infância. “Quando era pequena, vinha para cá tomar banho”, conta.

Ela lamenta a falta de saneamento básico e ressalta que as tubulações de água e esgoto de Tinguá foram feitas pelos próprios moradores “A água deles vem dos rios de Tinguá, que recebem também o esgoto das casas. Não sabemos se ela é própria para o consumo, mas não temos alternativa”, lamenta.

As rotinas de Elizabeth e Samara são recortes da realidade de muitos moradores de diversas regiões de Nova Iguaçu. Segundo ambientalista da ONG Onda Verde, Helio Vanderlei, as temperaturas elevadas fazem com que o consumo de água aumente, provocando escassez.

Para ele, a falta de planejamento a longo prazo para tratar recursos hídricos e a falta de redes oficias de distribuição de água são os principais fatores da escassez.

“A falta de um sistema de tratamento de esgoto eficaz e de  reservatórios, associada à  perda de água com ligações clandestinas, agravam ainda mais o problema. São perdas financeiras e de recursos naturais. Quem sofre é a população carente”, diz o ambientalista.

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Em nota, a Cedae informou que os programas Abastecimento de Água da Baixada Fluminense e Novo Guandu pretendem aumentar em três anos e meio o fornecimento de água tratada para a região, e garante que irá beneficiar 3 milhões de pessoas.

Segundo a empresa, a Caixa Econômica Federal investiu R$ 3,4 milhões nas obras, que incluirão a construção de 17 novos reservatórios, 17 elevatórias de grande porte (sistemas de bombeamento de água), além de reformar 9 reservatórios que atualmente estão fora de operação.

 

Não tem água para todo mundo

Os sistemas Guandu e Acari (compostos pelos subsistemas Tinguá, Mantiqueira e Xerém), cujos mananciais são formados a partir do Rio Paraíba do Sul, abastecem 12 milhões de pessoas, segundo a Cedae. Estima-se que 3,4 milhões são moradores da Baixada Fluminense e mais da metade ainda não possui água tratada. “Não temos água suficiente para 12 milhões de pessoas. Ou seja, 40% da população não tem água potável e os outros 60% têm água de forma independente”, alertou.

O ambientalista afirma que se não chover o suficiente para que o Paraíba do Sul chegue aos 30% acima do seu nível, hoje com apenas 9%, o Rio de Janeiro vai ter que racionar água a partir de junho de 2016.

Só a população da Baixada Fluminense, cerca de 3,4  milhões de pessoas, gasta em média 680 milhões de litro por dia. Mais de três vezes do que a Reserva Ambiental de Tinguá produz por dia, que é 170 milhões de litros. 


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